segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ChatterBot 221b - Inteligência Artificial para o jogo de Sherlock Holmes

O novo filme de Sherlock Holmes, como era de se esperar, irá lançar também um jogo associado. O que não esperávamos é a utilização de um mecanismo de bate-papo (um chatterbot) no jogo.


Este mecanismo vai permitir interrogar suspeitos e testemunhas dos crimes. "O nosso papel é prever, a dada altura do jogo, o que o utilizador já sabe ou não sabe sobre o crime e adivinhar que perguntas pode lançar", disse à BBC News Rollo Carpenter, da Existor, a empresa que criou esta nova tecnologia.

Carpenter, que ganhou duas vezes o Prémio Loebner, para o trabalho da computação científica nesta área da interacção em linguagem natural, diz que esta tecnologia consegue avaliar perguntas e encontrar respostas relevantes. Apesar de esta não ser a primeira vez que um jogo de computador permite este tipo de interacção, as técnicas, lembra Carpenter, estão cada vez mais aperfeiçoadas. "Percorremos um longo caminho desde: 'pegar martelo/atirar martelo a anão'", ironiza sobre os primórdios da interacção do utilizador com o jogo.

Fontes:

BBC News (veja o vídeo em inglês sobre o 221b em ação)
Publico Online

domingo, 20 de dezembro de 2009

Estudo genético da cana contará com Inteligência Artificial

Os estudos realizados por meio de pesquisas com o genoma, que visam melhorar a produtividade e características da cana-de-açúcar, ganharão a partir de agora a Inteligência Artificial (IA) como aliada.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto Microsoft Research acabam de aprovar um projeto que utilizará a IA para o desenvolvimento de ferramentas de anotação probabilística que deverão atribuir, automaticamente, funções potenciais a genes de cana-de-açúcar.

Para que servem os genes?

Segundo o professor Ricardo Vêncio, professor do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que coordenará o projeto, um dos maiores problemas no estudo genético é a anotação funcional.

"Depois de sequenciado o genoma, pretendemos saber qual a função dos genes. Para tanto, utilizaremos uma metodologia baseada em IA conhecida como Redes Bayesianas", conta.

Com a inteligência artificial será possível "adivinhar" a função dos genes de forma probabilística. "A forma convencional de anotação funcional é feita por uma busca em um banco de dados", descreve o professor.

"Nesta busca, localiza-se um gene semelhante de um outro organismo. No caso da cana, poderíamos, por exemplo, encontrar um gene semelhante no arroz. É o que denominamos em Bioinformática de busca por similaridade", explica Vêncio.

Um dos problemas clássicos neste tipo de busca, segundo o pesquisador, é a propagação do erro. Ele explica que o processo funciona como "copiar e colar". Ou seja, ao se encontrar um gene semelhante, copia-se suas funções e cola-se no organismo a ser estudado.

No caso da inteligência artificial, de acordo com Vêncio, será possível fazer uma espécie de árvore filogenética e, a partir daí, a busca de um gene semelhante acontecerá em todas as espécies possíveis. Todo esse processo será realizado com a utilização de ferramentas de informática que serão desenvolvidas na FMRP em parceria com pesquisadores da Microsoft Research em Seattle, EUA.

Redes bayesianas

O professor ressalta que as redes bayesianas são conhecidas como um bom método para representação de conhecimento qualitativo ou sujeito a incertezas. Elas modelam quais fatores dependem de quais variáveis de uma forma probabilística. "Um exemplo clássico é o do 'regador de jardim'. Imagine que existe uma chance de chover (ou não) se o céu está nublado. Ainda, imagine que, dependendo de estar nublado (ou não), um regador automático pode ou não ser disparado com uma certa probabilidade.

O que queremos é descobrir qual é a probabilidade de ter estado nublado ontem uma vez que encontramos a grama molhada (evidência) hoje. O modelo tem que levar em conta que existem dois jeitos de se molhar a grama: chuva ou regador, e tudo depende se estava nublado ou não. Essa inferência estatística com base na evidência observada é um típico problema modelado por redes bayesianas" explica Vêncio.

Estudos genéticos

O professor lembra que os resultados obtidos também poderão ser aplicados no estudo genético de outros organismos, inclusive causadores de doenças em humanos. Vêncio conta que o sequenciamento genético da cana ainda é objeto de estudos na própria USP, sob a coordenação da professora Glaucia M. Souza, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química (IQ).

Ele explica que o primeiro passo será aplicar a metodologia em organismos de interesse à produção de biocombustíveis. A próxima etapa do trabalho será a re-anotação do transcritoma da cana-de-açúcar, originalmente determinado em 2002 por um consórcio financiado pela Fapesp com a participação de vários pesquisadores da USP.

Transcritoma

"O transcritoma é um subconjunto menor do que o genoma, ideal para exercitarmos antes de partir para o genoma. Apesar de o genoma conter a informação genética e estar igualmente presente por diversas células, ela não é usada toda, em toda parte, e o tempo todo dentro do organismo. A fração do genoma expresso depende de um contexto espaçotemporal, respondendo dinamicamente a interação ambiental. Isso é o transcritoma", esclarece o professor.

Ele exemplifica: "Se a vida fosse uma receita de bolo, o genoma seria o conjunto de todos os ingredientes na dispensa e o transcritoma o 'modo de preparo', ou ainda, se fosse um computador, o genoma seria um banco de dados e o transcritoma os comandos digitados" , descreve. Uma vez estabelecida a metodologia, o genoma da cana-de-açúcar, que estará sendo sequenciado pelo consórcio BIOEN-Fapesp com a participação de vários grupos da USP, deverá ser então atacado.

O projeto aprovado pela Fapesp e pela Microsoft tem um prazo de dois anos para ser concluído (2012) e, de acordo com o professor, os investimentos são relativamente baixos, da ordem de R$ 160 mil. "Na verdade precisaremos de equipamentos de informática e, principalmente, bolsas para treinamento de pessoal especializado", comenta.

Ele ressalta que o uso da IA poderá ser fundamental na descoberta de genes mais resistentes da planta que assim poderá ser melhor adaptada a outras regiões ou até mesmo ser melhorada.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Processador quântico programável roda pela primeira vez

Excelente notícia do Inovação Tecnológica sobre os computadores quânticos. No futuro, este tipo de computação poderá vencer barreiras que hoje limitam certos algoritmos de Inteligência Artificial.

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Físicos do Instituto Nacional de Metrologia e Tecnologia (NIST) dos Estados Unidos demonstraram o funcionamento prático do primeiro "processador universal" quântico programável.

Esta é a primeira vez que a computação quântica vai além da realização de tarefas individuais usando qubits.

Processador quântico

Ainda não é um processador quântico no sentido integral do termo, que possa rivalizar com os atuais processadores eletrônicos, mas é um módulo que poderá ser usado para compor o processador de um futuro computador quântico.

Usando dois qubits, os pesquisadores viabilizaram a realização de cálculos computacionais previstos em um programa que combina entradas numéricas para computar os diversos passos previstos em um algoritmo lógico.

"É um passo importante rumo ao grande objetivo de fazer cálculos com inúmeros qubits. A ideia é ter vários desses módulos processadores, ligando-os para construir um processador quântico real," disse David Hanneke, principal autor da pesquisa.

Qubits de íons

O módulo de processamento quântico armazena as informações binárias (0s e 1s) em dois íons de berílio, átomos eletricamente carregados que são mantidos isolados em armadilhas magnéticas, sendo manipulados por lasers ultravioleta. Dois íons de magnésio também mantidos nas armadilhas ajudam a resfriar os íons de berílio, preservando seus estados.

Qubits de íons representam apenas uma dentre várias possibilidades que estão sendo exploradas para a construção de qubits para um computador quântico - veja Diamante tem qubit natural para construção de computadores quânticos.

Os cientistas podem manipular os estados de cada um dos qubits de berílio, incluindo colocá-los em uma superposição de valores 0 e 1 ao mesmo tempo, uma das maiores vantagens do processamento da informação no mundo quântico.

Eles também conseguiram demonstrar o entrelaçamento, um fenômeno quântico que liga as propriedades dos dois íons mesmo quando os dois estão fisicamente separados, algo que Einstein chamou "átomos assombrados - veja Átomos assombrados de Einstein abrem caminho para computação quântica.

Processador universal

Usando os dois fenômenos quânticos, os cientistas do NIST executaram 160 rotinas diferentes usando apenas os dois qubits.

Embora haja um número infinito de possíveis rotinas para programas de dois qubits, os cientistas afirmam que o conjunto das 160 rotinas escolhidas é grande e variado o suficiente para representar todas as possibilidades, o que lhes daria o direito de chamar seu processador quântico de dois qubits de um "processador quântico universal."

Cada programa, selecionado aleatoriamente, rodou 900 vezes, dando resultados precisos em 79% do tempo. O tempo de execução foi de 37 milissegundos para cada rodada de cada programa.

A redução da taxa de erros é um dos principais desafios a serem enfrentados agora pelos pesquisadores. A precisão deve ser elevada substancialmente, caso contrário uma parcela significativa dos ganhos da computação quântica poderá ser perdida como "overhead" necessário para corrigir erros.

Fonte: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MIT trabalha na reinvenção da Inteligencia Artificial

Faz cinqüenta anos desde que Herbert Alexander Simon previu que até o final da década de 60 "as máquinas seriam capazes de executar qualquer trabalho que o homem pode desempenhar", e suas palavras são consideradas como o ponto de partida no campo de pesquisa da Inteligência Artificial.

Infelizmente, ou felizmente (para alguns) Simon não acertou. É verdade que o ramo de estudos da Inteligência Artificial tem feito grandes progressos nos últimos anos, mas o número de conquistas que eram esperadas e que finalmente se materializaram foi relativamente modesto. Os especialistas acreditam que várias coisas correram mal desde o início, no campo da Inteligência Artificial, o que dificultou o seu desenvolvimento.

Agora, cinqüenta anos após seu nascimento, o MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) quer reinventar as bases da Inteligência Artificial e para tanto lançaram um novo projeto batizado de Mind Machine Project (MMP), que já conta com um financiamento de 5 milhões de dólares e uma equipe de acadêmicos, estudantes e pesquisadores de alto nível.

A idéia é voltar no tempo e revisar com uma lupa os fundamentos básicos da pesquisa na área de Inteligência Artificial para realizar correções e avançar nos próximos anos, nas três áreas fundamentais da IA (mente, memória e "corpo") e propor novos modelos que os coloquem para trabalhar juntos. Pretende-se ainda descartar o Teste de Turing, teste para determinar se uma máquina tem inteligência ou não. Finalmente o projeto MMP, que tem duração de cinco anos, não se concentra apenas no trabalho teórico, mas também em muito trabalho prático. Por exemplo, já estão desenvolvendo uma nova tecnologia de "assistência cognitiva", concebida inicialmente para pessoas que sofrem de Alzheimer.

A comunidade científica tem tudo para evoluir bastante na área de estudos da Inteligência Artificial, reconhecendo que nem tudo foi bem feito, eles concentrarão os esforços para restabelecer os pilares que sustentam a IA tendo em conta os fracassos do passado e os avanços obtidos em diferentes áreas que podem fazer importantes contribuições.

Fontes:

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Intel anuncia processador com 48 núcleos

A Intel anunciou ontem seu novo chip com 48 núcleos. Além do baixo consumo, a Intel promete uma melhoria significativa na velocidade de aplicações pesadas que tem vantagem com a computação paralela. Segundo a Intel, aplicações em Inteligência Artificial, robótica e visão computacional são as mais beneficiadas por este chip.

Executivos da Intel expeculam que o novo chip estará disponível para uso do mercado em 5 anos. Segundo eles, o novo chip é ideal para aplicações da computação em nuvens.

Abaixo o vídeo em inglês da Intel que explica o seu processador de 48 núcleos.






Fontes:

Blog Artificial Intelligence and Robotics
Intel Press Release