Os cientistas da IBM no passado desenvolveram um programa de xadrez, executado por um supercomputador conhecido como "Deep Blue". O programa conseguiu superar o então campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em um controvertido torneio, em 1997. Mas o xadrez é um jogo de limites, com peças cujos poderes estão claramente delimitados. Já Jeopardy! requer um programa com a agilidade necessária para ponderar uma gama quase infinita de relações e para realizar sutis comparações e interpretações. O software precisa interagir com seres humanos nos termos destes, e fazê-lo rapidamente.
De fato, os criadores do sistema ao qual a empresa deu o nome "Watson", em referência a Thomas Watson, o fundador da IBM - afirmaram que ainda não confiavam plenamente em que seu sistema conseguisse concorrer com sucesso no programa de televisão, cujos campeões costumam acertar as respostas em média 85% das vezes.
"O grande objetivo é levar os computadores a ganharem a capacidade de conversar em termos humanos", disse o líder da equipe, David Ferrucci, um pesquisador de inteligência artificial da IBM (foto). "E ainda não chegamos lá".A equipe não está planejando desenvolver uma máquina dotada de capacidade verdadeira de pensar, mas sim uma nova classe de software capaz de "compreender" questões humanas e de responder a elas corretamente. Um programa como esse poderia ter imensas implicações econômicas.
O novo projeto se baseia em três anos de trabalho por uma equipe de pesquisa que cresceu até que abarque 20 especialistas em campos como o processamento natural de linguagem, aprendizagem mecânica e recuperação de informações.
Há certo ceticismo quanto a esse esforço, entre os pesquisadores que trabalham nesse campo. "Para mim, isso parece mais uma demonstração do que um grande desafio", disse Peter Norvig, cientista da computação que é diretor de pesquisa no Google. "Isso permitirá explorar diferentes capacidades, mas não mudará a maneira pela qual esse campo de trabalho funciona".
Eric Nyberg, cientista da computação na Universidade Carnegie Mellon, está colaborando com a IBM na pesquisa, para desenvolver sistemas de computação capazes de resolver questões não limitadas a tópicos específicos. A verdadeira dificuldade, disse Nyberg, não é conduzir buscas em um banco de dados, mas fazer com que o computador compreenda aquilo que deveria estar procurando.
O sistema deve ser capaz de lidar com analogias, trocadilhos, afirmações de duplo sentido e relações como vínculos de tamanho e local, tudo isso em velocidade relâmpago. Em uma exibição realizada no laboratório da IBM em Yorktown Heights, recentemente, contra dois pesquisadores da empresa, o software Watson parecia competente e agressivo, mas não deixou de cometer alguns erros intrigantes.
Por exemplo, diante da afirmação "vizinho a Síria e Israel, este pequeno país tem apenas 216 quilômetros de comprimento e 56 quilômetros de largura", Watson superou os concorrentes ao responder, rapidamente, "O que é Líbano?" Momentos mais tarde, porém, o programa tropeçou quando respondeu com igual rapidez que "lençol" era uma fruta.
Fonte: Terra Tecnologia
Mais Informações:
http://www.research.ibm.com/deepqa/
Veja um vídeo da IBM (em inglês) que apresenta o projeto:

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