sexta-feira, 1 de maio de 2009

IBM cria software para enfrentar humanos em programa de TV

O programa de perguntas e respostas na televisão Jeopardy! encontrou muito sucesso, e agora se tornou o mais novo desafio do setor de inteligência artificial. A IBM anuncia que está nos estágios finais de trabalho para o desenvolvimento de um software para enfrentar os concorrentes humanos no Jeopardy!.

Os cientistas da IBM no passado desenvolveram um programa de xadrez, executado por um supercomputador conhecido como "Deep Blue". O programa conseguiu superar o então campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em um controvertido torneio, em 1997. Mas o xadrez é um jogo de limites, com peças cujos poderes estão claramente delimitados. Já Jeopardy! requer um programa com a agilidade necessária para ponderar uma gama quase infinita de relações e para realizar sutis comparações e interpretações. O software precisa interagir com seres humanos nos termos destes, e fazê-lo rapidamente.

De fato, os criadores do sistema ao qual a empresa deu o nome "Watson", em referência a Thomas Watson, o fundador da IBM - afirmaram que ainda não confiavam plenamente em que seu sistema conseguisse concorrer com sucesso no programa de televisão, cujos campeões costumam acertar as respostas em média 85% das vezes.

"O grande objetivo é levar os computadores a ganharem a capacidade de conversar em termos humanos", disse o líder da equipe, David Ferrucci, um pesquisador de inteligência artificial da IBM (foto). "E ainda não chegamos lá".

A equipe não está planejando desenvolver uma máquina dotada de capacidade verdadeira de pensar, mas sim uma nova classe de software capaz de "compreender" questões humanas e de responder a elas corretamente. Um programa como esse poderia ter imensas implicações econômicas.

O novo projeto se baseia em três anos de trabalho por uma equipe de pesquisa que cresceu até que abarque 20 especialistas em campos como o processamento natural de linguagem, aprendizagem mecânica e recuperação de informações.

Há certo ceticismo quanto a esse esforço, entre os pesquisadores que trabalham nesse campo. "Para mim, isso parece mais uma demonstração do que um grande desafio", disse Peter Norvig, cientista da computação que é diretor de pesquisa no Google. "Isso permitirá explorar diferentes capacidades, mas não mudará a maneira pela qual esse campo de trabalho funciona".

Eric Nyberg, cientista da computação na Universidade Carnegie Mellon, está colaborando com a IBM na pesquisa, para desenvolver sistemas de computação capazes de resolver questões não limitadas a tópicos específicos. A verdadeira dificuldade, disse Nyberg, não é conduzir buscas em um banco de dados, mas fazer com que o computador compreenda aquilo que deveria estar procurando.

O sistema deve ser capaz de lidar com analogias, trocadilhos, afirmações de duplo sentido e relações como vínculos de tamanho e local, tudo isso em velocidade relâmpago. Em uma exibição realizada no laboratório da IBM em Yorktown Heights, recentemente, contra dois pesquisadores da empresa, o software Watson parecia competente e agressivo, mas não deixou de cometer alguns erros intrigantes.

Por exemplo, diante da afirmação "vizinho a Síria e Israel, este pequeno país tem apenas 216 quilômetros de comprimento e 56 quilômetros de largura", Watson superou os concorrentes ao responder, rapidamente, "O que é Líbano?" Momentos mais tarde, porém, o programa tropeçou quando respondeu com igual rapidez que "lençol" era uma fruta.

Fonte: Terra Tecnologia

Mais Informações:

http://www.research.ibm.com/deepqa/

Veja um vídeo da IBM (em inglês) que apresenta o projeto: